Giva voou! O que dizer?

Elza Ramos
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Tanto a ser dito e faltam palavras. Lugar comum? O amor é assim, nos deixa abobalhados e desconsertados. Assim é também comigo que em 1984 o conheci e foi amor à primeira vista.

‘Queria ter um pai assim- pensei’. E tive. Não tão logo. No início era imensa admiração por tanto conhecimento, tanta ênfase ao defender suas ideias, tanta segurança e firmeza. A maioria do tempo com o dedo em riste ao defender princípios e valores. Empreendedorismo na veia. Faro fino para identificar perfis e analisa-los. Investidor de tempo, paciência e dinheiro em propostas nas quais acreditava.

E o tempo foi passando e eu fui construindo um amor filial que se somou à admiração e uma irremediável atração pela retidão e honestidade que tinham seus princípios inegociáveis, seja em nome do que fosse.

Atraía a ira dos medíocres que não são assíduos, pontuais, competentes ou que não honram a palavra empenhada. Dizia na cara o que houvesse a ser dito e isso o tornava um sincericida contumaz.

Não se perdia dos seus objetivos, mesmo que tivesse que adiá-los e esperava o momento correto, sem ousadias comprometedoras.

E eu? A cada dia o amava mais. Do meu jeito e do jeito dele. Um pai, já assumido, que muitas vezes me fez chorar ao me fazer parar para ouvi-lo com suas palavras assertivas e navalhadas, mas sempre pertinentes e acolhedoras.

Jamais ofereceu uma crítica que não viesse acompanhada de sugestão e formas de viabilizá-la. Jamais retaliou com quem o feriu. Mas jamais esqueceu também.

Oh! Quanta saudade já sinto. Tenho pena de mim por tê-lo perdido do convívio. Mas tenho imensa e inenarrável gratidão por tanto que me ofereceu em ensinamentos, conselhos, ideias, ajudas financeiras em difíceis tempos, ombros e ouvidos atentos aos meus sofreres.

A idolatria se fez mais consistente quando assisti de camarote, ele abrir mão de tudo quanto havia pregado a vida inteira, sobre a arte de manter-se solteirão inveterado.

A paixão o fez quebrar os paradigmas da solteirice e, como um jogador de pôquer, estrategista e astucioso, investir durante alguns anos, para conseguir conquistar o amor da sua eleita.

Astuto como poucos, ele não só a conquistou, como com ela viveu O grande amor, nos últimos quase trinta anos. E foi feliz!!!! E como foi feliz!!!! Sábio como ele só, conseguiu orquestrar a construção de uma vida amorosa “em três turnos”. E não esqueceu de investir toda sua sabedoria para tornar a mulher amada, antes jovem tímida, em mulher forte, independente, segura e gestora de sucesso.

O que dizer? Comecei assim este lamento, desabafo, declaração de amor. E não sei mais o quê dizer, simplesmente porque não existem palavras que me satisfaçam para caracterizá-lo. Você, meu papai Givaldo, exerceu muitos papéis na vida. Mas com certeza o que executou de forma mais maior de grande, com excelência foi o de AMIGO.

Dói muito saber que não ouvirei mais: Diga, moça...

Agora? É seguir sem você aqui, meu papai Giva. Mas com a certeza de que você é LUZ!

A autora Elza Ramos é Mulher de Axé, publicitária,  pedagoga e iyalorixá